quarta-feira, 29 de novembro de 2017



Relato Estágio Ddas Flávia e Laura

Nosso mês em Nova Petrópolis certamente foi um dos mais proveitosos do internato -  e da faculdade. Nossa experiência com a equipe e o professor foi ótima e proporcionou nosso crescimento como futuras profissionais da saúde.
Durante o estágio rural podemos imergir de fato na medicina de família e comunidade, podemos experimentar de verdade a longitudinalidade, podemos ajudar as pessoas e a comunidade como um todo. 
Aqui, vivenciamos o dia a dia de uma medicina ampla, que consegue de fato resolver a maior parte das demandas, uma medicina voltada ao paciente e seu contexto. Aqui, nosso atendimento tornou-se mais individualizado, mais humano. 
Além de tudo isso, ainda tivemos alguns bônus:  nosso mês foi recheado de boas histórias,  boas risadas, boas experiências gastronômicas pela região.
Fomos bem acolhidas pela cidade e pelo Pinhal Alto! Uma recomendação? Conheçam o estagio rural, é uma oportunidade única! MFC pode ser ( assim como foi para nós ) surpreendente! 

Flavia Nogara & Laura Tizatto 


Atividade educativa na escola São José

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Breves relatos poéticos - Mayara Floss, junho 2017

Dia de Targa

Música clássica de trilha sonora nas curvas da estrada. Costurando com as histórias dos pacientes “Trabalho vazando sapato” a vida equilibrada em conta gotas. “O colesterol pode ser apenas uma pista de que talvez você tenha uma doença no futuro” Um movimento rápido procurando a câmera no banco de trás do carro, procurando a coruja para fotografar para o Wikiaves. A “Terapia do joelhaço” ou confrontamento paradoxal opositor em brincadeira com a psicóloga. Em meio a delicada produção de cogumelos, “fiz até um curso para isso”, as histórias dos pacientes: “Quero me matar com uma faca” e as reflexões políticas. “Esse é o problema: quando o SUS é complementar ao privado”. O poder da intervenção medicamentosa, o especialista é como um bispo na idade média. “O que você tem para fazer? Tomo chimarrão, o dia todo, com leite para não me sentir sozinha”. Prontuário eletrônico ou de papel? “Esses conselhos de vó de gripe”. Reunião de equipe: “Eu sou o jardineiro e nas horas vagas médico de família. Também filósofo de meia tigela”. “Às vezes tenho azia, mas só quando como cuca de chocolate”. “Está triste, é mais disso (apontado para o pé) ou tem mais coisa misturada?”. “Meu açude transbordou e fiquei muito tempo no molhado”. “A tua filha tá com o olho vermelho, mas você também está com o olho vermelho”. “Ah mas isso é de costurar, no final do dia tá pior”. A unidade com chão de madeira da antiga escola, que range ao encontro dos sapatos, que se equilibra entre o moderno e a história da comunidade. “Tief luft“ (respire fundo). “Isso que é o bom de medicina de família, não vimos nada parecido durante todo o dia”. “No verão é muito mais trabalho no campo, muito mais acidentes”. “É impossível você preparar o pasto cuidando da postura, fui fazer isso, o máximo é colocar a luva na mão esquerda”. Quando fazem os agricultores deixarem a enxada para ir caminhar, porque capinar “não é exercício físico”. Um Lada Niva amarelo desponta nos olhos na cidade grande. “Tem dias que a nossa qualidade de vida vai para o espaço”. Boina na cabeça, boina jogada no painel do carro, na cabeça de novo. Este é o ritmo de conhecer os pacientes, as histórias, o trabalho, o dia-a-dia de cada um.


Exame físico neurológico Rural

O médico vai avaliar a força das mãos do paciente e pede colocando os próprios dedos indicador e médio nas palmas das mãos do sujeito:
- Faz como se fosse tirar leite de vaca.


Interior

Desponta o carro na curva e vem na direção do caminhante. Abre um pouco mais o vidro para falar:
- Doutor, tá caminhando na estrada de chão batido, não quer uma carona?
- Não, quero caminhar mesmo, me exercitar.
Em alguns minutos vem um trator:
- Doutor, não quer uma carona?
- Não, quero caminhar mesmo, me exercitar.
Depois uma picape, depois uma bicicleta, um cavalo, outro carro. “Cansei de caminhar de tantas paradas para convite para carona”.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Estágio Dda Francine Veadrigo - novembro 2016




Desde o início da faculdade, sempre busquei exemplos dentro da medicina que me inspirassem e que me tornassem alguém melhor. Acredito que as principais qualidades de um bom médico sejam empatia, humanidade e atualização constante. Ao longo da minha caminhada dentro desse curso, muitas vezes me deparei com o oposto. Acredito que o mês em que passei com o prof Leonardo e sua equipe na ESF Pinhal Alto, consegui enxergar essas virtudes. O estágio em Nova Petrópolis me foi apresentado por uma amiga com pensamentos semelhantes aos meus, e por isso não tive dúvidas em realizá-lo. Escolhi o mês de novembro de 2016 para mudar minha rotina e me aventurar pelas estradas de chão num vai-e-vem diário entre Nova Petrópolis e Flores da Cunha. Foi um mês de muito aprendizado, dedicação, aventuras e a sensação de estar em um dos estágios prazerosos da faculdade. Percebi o quanto esse lugar me faz lembrar da minha origem no interior da Serra Gaúcha e o quanto isso me faz bem. Com certeza, guardarei com muito carinho tudo que vivi.
Obrigada por tudo,
Grande abraço,
Francine Veadrigo

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Estágio ddo Elias Oliboni - agosto 2016






Agradeço a oportunidade deste estagio rural na comunidade alemã de Pinhal Alto - Nova Petrópolis! Foi um mês de bastante trabalho e aprendizado!
Nada como um final de expediente no Ninho das Águias para renovar as energias! 
Abraço Elias Oliboni

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Problemas comuns em áreas rurais: Araneísmo (2)


PHONEUTRIA (ARMADEIRA)


Phoneutria

Conhecida como armadeira por possuírem comportamento de defesa e saltarem em direção à presa ou ao homem, elas erguem as patas dianteiras e os palpos, abrem as quelíceras, tomando bem visíveis os ferrões.

Quadro Clínico
As manifestações locais são predominantes do quadro clínico, sendo a dor de início imediato e intensidade variável, podendo estar acompanhada de edema. Eritema, parestesias e sudorese no local da picada. Em alguns casos pode ocorrer sintomas sistêmicos diversos como: sudorese, tremores, convulsões, taquicardia, arritmias, distúrbios visuais e até o choque.


Classificação
a) Leves: mais freqüentes. Apresentam predominantemente sintomatologia local. A taquicardia e agitação, eventualmente presentes, podem ser secundárias à dor.

b) Moderados: Associadas às manifestações locais, aparecem alterações sistêmicas, como taquicardia, hipertensão arterial, sudorese discreta, agitação psicomotora, visão “turva” e vômitos ocasionais.

c) Graves: são raros, sendo praticamente restritos às crianças. Além das alterações citadas nas formas leves e moderadas, há a presença de uma ou mais das seguintes manifestações clínicas: sudorese profusa, sialorréia, vômitos freqüentes, diarréia, priapismo, hipertonia muscular, hipotensão arterial, choque e edema pulmonar agudo

                       

Tratamento
Sintomático: a dor local deve ser tratada com infiltração anestésica local ou troncular à base de lidocaína a 2% sem vasoconstritor (3 ml - 4 ml em adultos e de 1 ml - 2 ml em crianças). A dor local pode também ser tratada com um analgésico sistêmico, tipo dipirona. Outro procedimento auxiliar, útil no controle da dor, é a imersão do local em água morna ou o uso de compressas quentes.

A soroterapia antiaracnídea está indicada nos casos moderados e graves. Analgésicos sistêmicos como dipirona e meperidina também são usados; a imersão do local da picada com agua morna ou o uso de compressas parecem ser úteis no controle da dor.
Avaliar história de vacinação prévia contra o Tétano

LATRODECTUS (VIÚVA NEGRA)



A distribuição geográfica varia conforme a espécie de Latrodectus. A Latrodectus curacaviensis é encontrada na região nordeste, enquanto a Latrodectus geometricus é encontrada praticamente em todo o país. Somente as fêmeas são causadoras de acidentes, quando são comprimidas contra o corpo.

Quadro clínico
Geralmente, o quadro se inicia com dor local, de pequena intensidade, evoluindo para sensação de queimadura 15 a 60 minutos após a picada. Pápula eritematosa e sudorese localizada são observadas em 20% dos pacientes. Podem ser visualizadas lesões puntiformes.

As manifestações sistêmicas mais frequentes são motoras com dor irradiada e contrações espasmódicas dos membros inferiores, contraturas musculares intermitentes, tremores, dor com rigidez abdominal.

Fácies latrodectísmica: eritema e sudorese de face e pescoço, edema palpebral, blefaroconjuntivite, expressão de dor e eventualmente trismo de masseteres.

Tratamento
Analgésicos sistêmicos
Especîfico: O soro antilatrodectus (SALatr) é indicado nos casos graves, na dose de uma a duas ampolas por via intramuscular. A melhora do paciente ocorre de 30 minutos a três horas após a soroterapia
Avaliar história de vacinação prévia contra o Tétano

AUTORES:
Ddo Elias Soldatelli Oliboni
Ddo Henrique Pavan

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
FUNASA (Fundação Nacional de Saúde), 2001. Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos. Brasília: FUNASA, Ministério da Saúde.


ISBISTER, G. K.; FAN, H. W. Spider bite. Lancet, v. 378, p. 2039-2047, 2011.